sábado, 2 de setembro de 2017

Monte Bianco

   Monte Branco,  polvilhado de açúcar e envolto em algodão doce ...


Sentia, neste dia,  um misto de emoções.
Por um lado a ansiedade de subir e me deixar invadir pela mistura de sentimentos que a natureza desperta em mim. Por outro,  o receio de me sentir indisposta devido à altitude.
É mais que sabido por quem me / nos conhece,  como adoramos e nos sentimos bem na Natureza e o quanto gosto de registá-la na minha câmara e,  se sinto e vivo todos os momentos  como se fossem mágicos,  este tinha um sabor especial.
As montanhas fascinam-nos, gostamos do desafio de as conquistar superando cada obstáculo e maravilhando-nos com a paisagem que se vai descortinando a cada passada. Contudo não era aqui o caso, o que me deixava,  expectante  era a altitude que esta subida  nos iria proporcionar. Nunca antes estivéramos tão pertinho do "céu "  E foi no Sky Way que partimos ao encontro da imensidão dos picos dos Alpes.




 Por volta das nove da manhã estávamos na fila prontinhos para adquirir os bilhetes.
São muitos os turistas que sobem e descem num vai e vem interrupto.
 Nós subimos  logo à abertura e descemos no ultimo teleférico , não pelo investimento  mas pela sensação sentida, pela beleza admirada, pelo fascínio das montanhas.

 " O Skyway Monte Bianco é um teleférico revolucionário, recentemente aberto ao público no Vale de Aosta em Courmayeur, na Itália. 
Graças a uma capacidade de rotação de 360 graus, esta maravilha da arquitetura oferece aos mais exigentes visitantes vistas panorâmicas deslumbrantes sobre o pico mais alto da Europa – o Monte Branco.O Skyway é um extremo desafio de engenharia que nos transporta a 3500 metros em apenas 15 minutos, sobre o gelo eterno do Monte Branco. O novo teleférico mergulha o visitante numa paisagem de tirar o fôlego, graças às suas cabines rotativas. Dispõe de três estações com restaurantes e bares.Segundo o arquiteto Carlo Cillara Rossi, responsável pelo projeto, “o Skyway nasceu para oferecer às pessoas uma nova experiência, a experiência de conquistar a montanha.”A estação de embarque fica a cerca de 1300 metros. O teleférico pára depois a meio caminho no Pavillon du Mont-Frety a 2170 metros. Aqui, temos um ponto de vista magnífico com varandas em vidro, restaurantes e lojas.O teleférico continua em seguida até ao topo, o pico Helbronner, a 3.466 metros. No “ninho das águias” encontramos um imenso terraço com vistas deslumbrantes sobre o Cervino, Monte Rosa, Gran Paradiso e toda a paisagem ciucundante.A estrutura está equipada com um sistema de veículos de socorro que podem chegar às cabines do teleférico em caso de acidente. Já não teremos de fazer descer os turistas com guinchos e cordas.O vidro usado é capaz de resistir a ventos de grande potência, normais a esta altitude, que atingem por vezes os 200 quilómetros por hora. O preço de uma viagem de ida-e-volta ao pico Helbronner é de 45 euros."
Euronews Nelson Pereira " 


E aí vamos nós, para trás ficava Courmayeur a 1.300 metros 


Uns  sobem, outros descem ...


Chegados ao Pavillon du Mont Fréty a 2.173 metros de altitude. Esperava-nos além da belíssima paisagem,  o Jardim Alpino , restaurante,  bar, sala de conferencias, e cinema com capacidade para 150 pessoas, a cave laboratório  Mont Blanc,  lojas , um parque infantil e uma zona de descanso para todos. 





 Após almoçarmos e desfrutarmos, seguimos a recta final. Para trás ficava Mont du Fréty


A acompanhar-nos uma paisagem indescritível. 
Estávamos a caminho do tecto da Europa Ocidental, iríamos ver de perto o segundo ponto mais alto da Europa. Mont Blanc, sendo o terceiro lugar natural mais visitado do mundo. E eu estava maravilhada...





E assim estávamos quase no topo do mundo...


Como somos tão pequenos perante a natureza ...

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Veneza dos Alpes


Palais de l’Isle e Vieux Ville

  Localizada na região de Rhône - Alpes, a leste de França,  fazendo fronteira com Itália e Suiça,   encontra-se Annecy capital  da Haute- Savoie.
Trata-se de uma pitoresca e  pequena cidade serpenteada por canais alimentados pelo rio Thiou efluente do Lago de Annecy,  o  Vassé , o canal de Saint - Dominique e pelo lago Leman. 
 Conhecida como a Veneza dos Alpes  é uma cidade lindíssima que visitei, por sugestão de uma amiga a quem muito agradeço. 


 Sendo Julho,  a cidade encontrava-se cheia  de turistas,  o que dificultava, um pouco,  não somente a visita, como a captação de registos  fotográficos, já que se trata  de um local com um potencial enorme a ser explorado.  
Contudo, há que aproveitar o momento e foi isso que fizemos. 



 Estávamos  na  Pont des Amours situado num parque que dá pelo nome  Jardins de L'Europe.
Dum lado um canal ladeado de árvores, onde pequenas embarcações transportavam  turistas num agradável  passeio.


Do lado oposto,  o Lago de Annecy  no sopé das montanhas.
Um cenário lindíssimo que, devido aos casais que procuram tirar a foto nessa ponte, nós também fizemos a foto da praxe ... confesso  :-)   quase não desfrutávamos da sua beleza. 
Mas a paciência compensou e conseguimos abstrair-mo-nos e sentir a calma no meio da multidão veraneia.
 Imaginei como será lindo este lago coberto de neve e quase deserto ...


Orientados pelo mapa que se encontra na Ponte dos  Amores, seguimos o roteiro de La Vieille Ville, apreciando as ruas e a habitações, algumas datadas do séc XII


Seguimos pelo Promenade Lachenal 


Passeámos pelos canais 



Igreja dos Italianos construída entre 1422/1510 

   









 O Palácio da Ilha, em tempos uma prisão, foi construído no séc. XII. 
É um dos monumentos mais fotografados sendo o cartão de visita de Annecy 


  Vi os cruzeiros partirem navegando as águas cristalinas do Lago Annecy e confesso, senti pena de não embarcar num deles. O preço praticado era bastante acessível mas o tempo que dispúnhamos destinado a esta linda cidade chegava ao fim...




Regalo o olhar e despeço-me feliz por ter a oportunidade de conhecer mais um lindo lugar da Europa.

domingo, 20 de agosto de 2017

Um Trilho com História

  Foram cerca de 7 kms  com um desnível de mais de 500 m, trilhando e explorando o que de mais belo a Natureza encerra.



Nada nos faria pensar, no nosso inculto desconhecimento, que estas montanhas guardavam uma historia de guerra tão intensa...
Fotográfo os textos de Emile Chanoux, leio nas entre linhas e é quanto baste para perceber que muitas vidas caíram por terra no Valle de Aosta ...
Insisto permanecer na obscuridade ... não posso, não quero, que nada dissipe minha felicidade.
Contudo não consigo deixar de observar, como um texto escrito há tantos anos continua tão actual... É tristemente absurdo, chega a ser bizarro como o homem continua cometendo tanta atrocidade.



Num mundo onde o fraco é massacrado  simplesmente por ser  mais fraco, ou diferente... temo que venham a existir mais monumentos desta natureza...


Émile Chanoux (ValsavarencheVale de Aosta, 9 de janeiro de 1906-18 de maio de 1944) foi um político italiano assassinado pela milícia fascista.[1]
Jovem estudante de direito, Chanoux torna-se vice-presidente da "Jeune Vallée d'Aoste", um movimento que visava a defesa da identidade valdostana, inluindo a sua autonomia histórica e a sua língua, o "valdostano", uma variedade local da língua francoprovençal. A 19 de dezembro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, ele encontra-se com representantes das populações francófonas do Piemonte, na cidade de Chivasso, onde foi assinada uma declaração que proclama os direitos, culturais, políticos e económicos daqueles povos.
Para Chanoux, os problemas das regiões com minorias étnicas só podem ser resolvidos dentro de um quadro de federalismo. Sobre este assunto, ele publica clandestinamente, durante a Resistência italiana, o livro "Federalismo e autonomie", além do "Delle minoranze etniche nel diritto internazionale" ("Sobre as minorias étnicas à luz do direito internacional").
18 de maio de 1944 ele é preso pela milícia fascista e submetido a torturas que, provavelmente terão provocado a sua morte naquela noite.
Wikipédia 
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Chegámos a Vaude / Ollomont por volta das 9 horas da manhã sem grande informação, apenas o conhecimento de uma cascata rodeada de montanhas. 
A falta de informação não era entrave o que não falta na zona alpina é trilhos a percorrer. Estacionámos o carro e embrenha-mo-nos por um prado verdejante no sopé da montanha e partimos há aventura. 

 Uma placa em madeira informava a direcção da cascata por um caminho limitado por um cercado em madeira criando o grafismo muito fotogénico. 

        
  
Ao longe avistavas-se a ultima  queda de água  da cascata, decidimos prosseguir afim de encontrar o seu inicio .



                                                           
                                                                 



 Encontrámos alguns caminhantes  e é sempre como se  já nos conhecêssemos,  ninguém se cruza sem dar, no mínimo,  a saudação, seja em que idioma for...  sem dúvida que a serenidade da natureza reforça os laços com as pessoas e com a vida...
Esta senhora,  com os seus setenta anos e com quem trocámos algumas palavras,  caminhava totalmente só, determinada e com a felicidade estampada no rosto.
Fez-me desejar viver assim... a Natureza é vida !


                        
 Fotografando a crista da fronteira entre Itália e Suiça


 Lago Py


  Capela e Refúgio Bivacco Savoie


A Suiça para lá das montanhas 


 Dávamos aqui esta caminhada por terminada.  O regresso foi efectuado pelo mesmo caminho.