sábado, 25 de março de 2017

Da Lousã até Góis

Uma fotografia da aldeia de Talasnal , inserida nas aldeias de xisto de Portugal despertou em mim a vontade de um passeio pela Serra da Lousã e se bem o pensei assim o fiz.
Partimos cedo, como é nosso hábito  e desfrutámos da estrada nacional despovoada. E, observando a paisagem  seguimos caminho, numa deliciosa tranquilidade.
Embrenhados na luxuriante vegetação, quase somos transportados para o mundo mágico de conto infantil. Estamos no tempo das mimosas e as mesmas não se fazem rogadas, mostrando todo o seu esplendor, beleza e cor.


Pelo caminho não encontramos indicações, confiamos  pouco no GPS,  o sinal é fraco, mas não há que enganar é subir a serpenteada estrada e, de súbito,  do nosso lado esquerdo eis que lá está ela, no cimo de uma vereda,   como que envergonhada,  aconchegada entre montes e vales,  a linda  Aldeia de Talasnal.


Mais um pouco e é hora de estacionar o carro, explorar a aldeia  que já não está tão esquecida como em tempos idos em que chegou a ser uma aldeia fantasma.
Descemos a imensa escadaria lembrando-nos que é preciso  subi-la e  não posso deixar de pensar nos seus habitantes, alguns ( a maioria, suponho ) de idade avançada percorrendo aquela escadaria e as ruas estreitas e sinuosas... há lá melhor ginásio...


Embrenha-mo-nos nesta amplidão de xisto e espiando aqui e acolá, entre muros e ruas estreitas, descobrimos uma aldeia dos anos vinte e trinta. Nessa altura,  a distancia entre a Lousã e Talasnal  era enorme, como tal, os seus habitantes ali nasciam, ali pereciam ... sendo conhecidos como "Gentes da Serra "






 Visita terminada seguimos em busca de outra aldeia, que um amigo nos indicou. Cerdeira  Voltamos a percorrer a sinuosa estrada de amarelo colorida tal tela pintada pelo vento que a flor da mimosa derrubou



A entrada a bonita Capela , descemos o caminho de xisto até um pequeno regato e admiramos o casario que se estende lá em baixo.
O dia findava e ainda havia que passar pela  Vila de Góis a fim de visitar a família... Ficou prometido um regresso, permanecer numa destas aldeias, palmilhar alguns dos seus trilhos pedestres  e descobrir estes recantos de Portugal.


É sábado e os jovens aproveitam para a prática de desporto, faço uns cliks  e seguimos


Já em Góis e após visitar  todos os familiares, guardo alguns momentos para recordar.
Góis tem muito a oferecer ao visitante. O rio Ceira e a sua paisagem circundante fazem as delicias dos amantes da natureza.
A vila,  possui um largo património cultural. Um belíssimo lugar que merece sem duvida um post só seu.


Perspectiva de Góis


Largo do Pombal e Igreja da Misericórdia



Fonte do Pombal


Largo do Pombal




Rio Ceira

sábado, 21 de janeiro de 2017

Alquezar _ Huesca

  Avistámos Alquezar. e rende-mo-nos de imediato.
Uma vila em forma de meia lua , símbolo de sua origem árabe, envolta numa magnifica paisagem e murada por uma fortaleza, onde se encontra o casco histórico. Em destaque,  o  Castelo e La Colegiata de Santa Maria.
As  suas casas amontoadas lado a lado  conservam a traça medieval, as ruas sinuosas formam autênticos labirintos que percorremos com prazer , aquando a nossa estadia.
  Seu nome deriva do àrabe; fortaleza,  está situada em  El Somontano de Barbasto.  
Alquezar, encontra-se entre os pueblos  mais bonitos de Espanha,  sendo um dos lugares protegidos do Parque Natural de la Sierra de la Guara e los Cañones de Guara.
 Declarada "Conjunto Histórico e Artístico " em 1982 



Percorremos  as ruas estreitas  contemplando cada pormenor. Suas varandas de madeira, os brasões que se destacam e nos transportam à época medieval, fez-me retroceder no tempo e fico imaginando quanta historia ali guardada, entre montanhas, água, pedra sobre pedra, quanta  batalha travada entre Mouros e Cristãos... 





Subimos à Colegiata e....

 
... deslumbra-mo-nos com a perspectiva sobre Alquezar





Visitámos a Colegiata, antigo Mosteiro Benedito a Torre de Vigia séc. XI e  alguns troços da Muralha, que se conservam ainda originais,  na parte mais elevada.



O seu belíssimo Claustro séc. XV, com destaque para os seus capitéis  românicos do séc. XI e XII




 Pinturas que cobrem as paredes realizadas entre XIV e XVIII


Igreja séc. XVI,



Ao final da tarde, passeávamos pela Plaza Moyor , comíamos um gelado, eu fotografava e ambos  contemplávamos quão singular  e belo é Alquezar.


 Desta perspectiva, obtinha uma visão completa de Alquezar.
No centro um pouco à esquerda a Igreja de San Miguel , do lado direito La Colegiata com a Muralha, no seu sopé o casario estende-se pela montanha. 

domingo, 8 de janeiro de 2017

Pasarelas del Vero

Estávamos de regresso a Portugal de uma viagem de carro onde visitámos alguns países da Europa e decidimos terminar esta viagem, onde  a  mesma tinha começado, um lugar que há muito nos conquistou.  As cadeias montanhosas aqui  na vizinha Espanha.  E se,  rumamos em direcção ao mesmo lugar anos seguidos, verdade é,  que sempre nos espera um lugar desconhecido. E assim foi mais uma vez.
Dirigi-mo-nos à província de Huesca,  lugar  recheado de paisagens de cortar a respiração.
Munidos do mapa, toca a buscar o local a visitar. O nome Alquezar despertou a nossa atenção e foi para lá mesmo que nos dirigimos.
Farei um post sobre esta aldeia, considerada uma das  mais belas de  Espanha.  Hoje a partilha é outra.
Um divertido passeio,  indicado para toda a família, ( desde que não sofram de vertigens )  que permite admirar a Serra da Guara e  passear por vertiginosos barrancos  e desfiladeiros. A nossos  pés, o Rio Vero.
Uma aventura intensa em plena natureza.



Pouco tempo após o começo deste percurso e antes de entrar nas "Pasarelas"  aparece-nos uma placa indicativa / Cueva Picamartillo /.   É necessário fazer um curto desvio,  o que indico, não somente pela gruta em si, como pela perspectiva que se obtém das Pasarelas que esperam por nós. Ou,  no meu caso particular,  era eu quem as esperava ansiosamente.




Após a visita à gruta, lá partimos à conquista das "Pasarelas "
Não  sabíamos o que íamos encontrar, apenas tinha visto uma foto das mesmas num guia turístico.
Sem estudo do terreno demos inicio a este pequeno  percurso, que se veio a revelar de uma beleza esplendorosa.




As Pasarelas  ofereciam-nos tudo que procurávamos,  contacto com a natureza, aventura, silêncio , paz, contemplação e muito mais.
Palmilhando as mesmas,  subíamos e descíamos as paredes húmidas e verticais  do desfiladeiro, permitindo-nos refrescar-nos no rio Vero, cujo o caudal nesta altura era parco, desconhecendo totalmente onde as mesmas nos levariam.


Chegámos uma pequena presa que servia para armazenar a agua necessária para mover as turbinas da velha central eléctrica, situada mais abaixo


Não resistimos a sair do trilho,  explorando e gravando na memória e na câmara aquele instante


As Pasarelas continuavam nos conduzindo. Somos  regidos pelas mesmas sem nos preocuparmos onde fica o norte ou o sul... elas obrigam-nos a percorre-las e são nosso guia.
Ao longe avista-se um miradouro.


Chegados ao miradouro as vistas são deslumbrantes e o sentido de liberdade é total.
Findámos o percurso das  Pasarelas.
As Pasarelas são umas passadeiras metálicas engenhosamente fixadas ás paredes rochosas da montanha, permitindo percorrer o ultimo tramo do desfiladeiro do Rio Vero.
As primeiras  Passarelas foram construídas no inicio do séc XX  afim de facilitar o acesso dos trabalhadores da central eléctrica.


Para regressar a Alquezar há que tomar o trilho serpenteado de terra batida , está tudo bem assinalado, onde abundam antiquíssimas oliveiras

Nós optamos por  estender um pouco mais o percurso e fomos conhecer a ponte e o velho moinho que se avistava ao longe.


Puente de Fuentebaños


Com as povoações dispersas e os numerosos rios, era imperativo a construção de pontes. Contudo, as pontes construídas em pedras eram um luxo. Só a monarquia e os mais ricos poderiam assumir os gastos que as mesmas comportavam. Por essa razão, as pontes de pedra, nessa época,  somente eram construídas em caso de extrema necessidade onde o acesso era muito perigoso ou impossível.  Em alternativa construíam-se pontes de madeira ou simplesmente uns troncos de árvore serviam de passagem.
Neste lugar, relativamente próximo umas das outras,  existem três pontes de pedra. Apenas visitámos uma, quem sabe um dia regressamos e fazemos outro percurso que nos levará ás mesmas.

Agora era hora de fazer uma pausa, refrescar e comer algo.


 Após o descanso, bóra lá visitar o velho moinho e o seu açude...  Seguimos a indicação, ao lado da mesma existia uma placa indicando ser propriedade privada. Estando eu ainda indecisa se haveria ou não de passar, surge-me um Sr. falando inglês e lá entendi que me dizia ser o proprietário mas poderíamos fazer a visita. Agradeci e metemos pés a caminho, Contudo devo dizer que apanhei um susto, tudo me parecia muito estranho...  o caminho estava adornado com peças ornamentais executadas por eles mesmos e no fim do mesmo, o açude era a sua piscina privada.
Depois de terminar a visita percebi como aquela família, um casal com dois filhos pequenos, viviam no paraíso.






O Parque Natural da Serra da  Guara   e seus desfiladeiros , foram contemplados  com o prémio europeu " Éden de Turismo Acessível "









sábado, 3 de dezembro de 2016

No Trilho da Cascata de Anços


Amantes da natureza, eu particularmente, amante de  fotografia, há muito que planeávamos visitar estas cascatas aqui tão próximo.  
Um dia,  uns colegas e amigos da fotografia levaram-me a conhecer a cascata de Anços e de Fervença, desde então  a frase "um dia vamos lá" era referida diversas vezes aqui em casa, mas o passeio nunca acontecia. Outros destinos se sobrepunham e as mesmas iam ficando em lista de espera. No domingo passado decidimos ir à descoberta dessa jóia da natureza. 
 Sou bastante despistada,  mas com um pouco de pesquisa  e as indicações de um amigo, lá partimos. Eu de papel na mão / neste caso o GPS não me servia de muito,  pois não consegui  as coordenadas do lugar /   lá chegámos. 


Como chegar:

Esta cascata fica na aldeia de Anços. 
 Quem vem de Lisboa apanhar a IC 19. Antes de chegar a Sintra,  entrar na IC 16 direcção Mafra- Pêro Pinheiro, seguir esta estrada e  virar   para Maceira - Negrais. A seguir a Maceira e antes de Negrais encontra-se a aldeia de Anços, na Rua das Larangeiras,  encontra-se as placas informativas. / Cascatas /  Estacionámos o carro no final desta rua. 


Para chegar à cascata há que fazer um  curto percurso que se encontra assinalado.


Cautelosamente e com calçado adequado,  podem desfrutar deste pequeno paraíso escondido.
Não se esqueçam de o deixar como o encontraram, ou melhor. Infelizmente encontrámos algum lixo... recolhe-mo-lo e deixá-mo-lo no caixote de lixo que se encontra logo no inicio do percurso.  Nunca  entendi,  nem vejo necessidade de destruir o ambiente, muito menos quando as autarquias nos disponibilizam os meios necessários para o protegermos.


A dada altura, uma seta indica o lado direito /não está totalmente errado / contudo,  para se observar a parte mais espectacular da cascata, há que ignorar essa indicação e seguir em frente.


Atravessar o que resta deste moinho e aí sim alcançamos esta magnifica escada  d'agua em cascata


Só é possivel visualizar o inicio da cascata, atravessando o rio para a outra margem,  há dois modos de o conseguir, dependendo do caudal, ou se atravessa por esta ponte improvisada, ou atravessamos o rio se o caudal for baixo e estivermos de calçado apropriado.



Finalmente atingimos o inicio da queda de água. Corre bela e vigorosa. quedo-me ali por uns momentos para a captar na minha maquina  e guardá-la para sempre....


O sol vai baixo e há que regressar antes do anoitecer... decidimos seguir a seta que inicialmente tínhamos ignorado e a mesma leva-nos a um caminho ao longo do rio, avistamos mais uma pequena queda d'agua.



Regressámos ao carro já o céu se pintara de azul e violeta ... Anços estava conquistado ...


Não foi uma despedida.... foi até um dia...