terça-feira, 8 de agosto de 2017

Um Jardim nos Alpes

         Estrela Alpina, flor representativa dos Alpes e símbolo da Áustria e Suiça


       Na elevada altitude dos Alpes , florescem entre os meses de Junho a Setembro, uma vasta diversidade de plantas e flores, provenientes das montanhas de todo o mundo.

O Giardino Botanico Alpino de Saussurea a 2175 metros de altitude, foi fundado no ano de 1984 com o intuito de preservar, proteger e estudar  a flora do Monte Bianco.
    Com  uma área de cerca de 7000 metros quadrados alberga cerca de 900 espécies.
    Alguma desta flora, só é possivel encontrar no alto da montanha. Este espaço permite ao turista, não somente  observar a flora alpina como conhece-la melhor.


   Nome Cientifico _ Leontopidium  /  Nome vulgar _ Estrela Alpina ou Estrela das Neves.

   Originária dos Alpes, encontra-se  a altitudes entre os 1700 a 3400 metros e floresce nas encostas dos penhascos.  Mede entre cinco a vinte centímetros, suas pétalas são densamente peludas, dando a sensação de veludo.
   
    Muitas são as lendas atribuídas a esta bonita flor.
    A adorada Estrela Alpina é a protagonista principal da canção Edelweiss, do filme "Música do Coração "

 __Narra a lenda,  que a Estrela de Belém depois de ter guiado os Reis Magos, procurava um lugar para descansar. Olhando para baixo avistou os lindos  prados floridos, encantada com tanta beleza, desceu e sentou-se numa pedra da encosta de um penhasco, cobriu-se de pêlos por causa do frio e ali fincou raízes.  Desde então,  a Estrela de Belém passou a chamar-se Estrela Alpina.

Outra mais ao meu gosto de romântica sonhadora :-)
   
     Reza a estória, que os camponeses apaixonados, em prova de seu amor, subiam ao topo das montanhas para colher tão bela flor e oferecê-la à sua amada em prova de seu amor.
 Esta era a verdadeira prova de amor sendo o caminho tão difícil e perigoso só os verdadeiramente apaixonados se atreveriam em partir em sua busca.

     A Stella Alpina, representa a honra, a liberdade, o mundo dos sonhos e o amor eterno.

 Curiosidade : Uma nova variedade, baptizada de Helveti passou a ser cultivada em estufas e é hoje comercializada. Não sei se em Portugal.

Sem dúvida a minha flor favorita a partir desta viagem : -)



 Valeriana Montana _ Planta indicada para diversos fins medicinais, de efeito relaxante. encontra-se na  América do Norte, Europa e Ásia. cresce essencialmente em lugares húmidos.


Dente de Leão comum _ Possui o significado de  liberdade, optimismo, paz espiritual e esperança.
Possui diversas propriedades medicinais e é rica em vitaminas e minerais.
Em forma de chá auxilia no bom funcionamento da função hepática.


 Astro Alpino _ Originária dos continentes europeus e asiáticos. Seu nome Aster deriva do grego que significa estrela.


Veronica Fruticulosa  _ Planta com propriedades medicinais, o seu chá  é um importante anti-inflamatório.


Eriogonum _ Originária do Norte da América


Pulsatilla vulgaris _ originária do  norte da Europa


Pulsatilla halleri


Gentiana purpurea  _ A sua raiz é utilizada na confecção de um licor ( licor de genciana )


Achillea Erba Rotta _ Planta aromática típica dos Alpes



Admito que a flora encontrada nas montanhas era mais farta e viçosa, contudo, este espaço permitiu-me identificar algumas das flores que ia fotografando ou simplesmente observando.
 
Um dos jardins mais altos da Europa.

domingo, 6 de agosto de 2017

Viajar por Estrada

 
       Sempre viajámos muito de carro, mas até Julho de 2016, o mais longe que  nos tínhamos aventurado, fora a nossa vizinha Espanha. A viagem do ano passado a que chamei "Viajar sem Limites"    abriu-nos horizontes e, pegando em sonhos há muito agendados,  de mão dava à aventura partimos rumo a um misto de emoções.
     É fantástica a sensação de liberdade vivida enquanto uma viagem de carro, lamentavelmente não é possivel visitar  condignamente todos os  belos  locais  que nossos olhos avistam mas muito se vive num road trip.
 Após destinos definidos e roteiro programado, sobre rodas,  percorremos estradas panorâmicas, caminhos tortuosos   que se cruzavam  entre cidades, vilas e aldeias, planícies atapetadas de vinhas ou campos de girassóis,  lagos, vales e  montanhas.
   Foram aproximadamente 6000 km de beleza inesquecíveis gravadas na minha câmara e no nosso coração.



   O objectivo era chegar a Frankfurt o mais rápido possivel, sendo que era a segunda vez que fazíamos este percurso de carro e o roteiro da viagem fora projectado com foco nos Alpes italianos.
   Saímos no crepúsculo da noite estrada fora, era imperativo entrar em Espanha antes do aumento do tráfico de camionistas em Portugal, sendo que toda a viagem foi efectuada sem portagens, à excepção da Suiça,  As auto-estradas poderão ser mais rápidas, mas além do custo, muito se perde. Nada como viajar por caminhos menos percorridos e descobrir lugares que de outro modo nunca os veríamos. Mesmo que fiquemos por isso mesmo. Ver !

 
        O dia despertava e a viagem continuava ...



       Com as paragens necessárias, chegámos  a Bordeaux onde pernoitámos e claro , no dia seguinte aproveitámos para fazer uma breve visita a esta linda cidade francesa.
      Pelo caminho passámos por campos de vinhas a perder de vista. Magnifica a geometria e o verde que ladeava a estrada. Infelizmente não consegui registar na minha câmara.
      Chuviscava,  mas não foi impeditivo para nos assombrarmos com a vastidão do Lago Léman...
 Passámos, literalmente ao lado da costa oeste de França, Biarritz e nem os pés molhámos :-(   sendo final de semana, era quase impossível  estacionar... deitei o olho pela janela do carro enquanto o mesmo parava_ andava ... e apreciei o azul do oceano e o formigueiro de gente que ia a banhos. Ficou a vontade de um dia regressar... quiçá ?...


  Frankfurt au Main

        Alcançada a primeira etapa disponhamos de uma semana para conhecer um pouco melhor esta cidade e uma ou outra nas proximidades.
       Mainz e Limburg foram as escolhidas o resto do tempo foi passado em Frankfurt .


Mainz


Limburg an der Lhan

  Chegou o dia de nos fazermos de novo à estrada. A segunda etapa escolhida,  com paragem mais prolongada foi  Vale de Aoste.
 No percurso visitámos Berna,  capital da Suiça. Uma cidade lindíssima,  história ,arte , cultura e natureza de mãos dadas.
 
 
 
Berna _ Suiça

    Já instalados nos Alpes Italianos, a nossa felicidade estava ao rubro. Amantes da natureza, em especial montanha, encontrava-mo-nos no paraíso. E não estávamos muito longe da verdade, estávamos precisamente no Parque Nacional  Gran Paradiso.
   Pé ante pé ou sobre rodas, desbravamos  vales e montanhas,  descobrimos cascatas e lagos glaciares,  avistámos alguma fauna e a flora alpina fez as nossas delícias.


Chamounix Mont Blanc

   Esqueci as horas, os dias e o tempo passou tão rapidamente ...  mas ainda não tinha terminado.
   Era hora de retomar a nossa rota. Próximo destino, Formigal Pireneu Aragonês, sem perder a oportunidade de conhecer mais um ou outro lugar, Annecy e Auch foram as duas cidades francesas escolhidas.
 

   Annecy _ A Veneza francesa


Auch _   D'Artagnan, nasceu na região de Auch  e nesta escadaria universal que liga as duas partes da cidade, podemos observar uma estátua do conde D'Artagnan.


Formigal _ Pirenéus

    Um local por nós já muito palmilhado, contudo sempre se descobre trilhos novos a percorrer.
 E a viagem estava prestes a terminar.
   Daqui regressámos a Portugal, com algumas paragens necessárias.  Tinha chegado ao fim,  este "viajar por estrada".
   Na bagagem, paz, serenidade, conhecimento,  enriquecimento cultural e humano e uma enorme vontade de repetir.
  Na minha câmara fotográfica, tantas fotos como kms... uma pequena loucura... daquelas que nos deixa imensamente feliz e nos faz sentir completos.

  A seu tempo desejo fazer postagens personalizadas de cada lugar por nós visitado e palmilhado.





Lago Léman  _ Suiça














                                 Campo de Girassol _ França

domingo, 9 de abril de 2017

Passadiço da Praia de Alamal

  Por vezes, quando desejamos surpreender alguém acabamos sendo surpreendidos ...  foi o que sucedeu ao meu marido que, com todo o carinho me preparava uma bela caminhada pela natureza.  PR1 " Arribas do Tejo " na  Vila Medieval de Belver,
  Contudo, chegados ao local depará-mo-nos com a informação que se pode ler neste placar .



  Tudo parecia correr mal neste dia.
   Eu, logo de manhã tinha quebrado um filtro Big Stoper, um acessório indispensável para  a prática do meu tema fotográfico preferido.
   Acordáramos cedo, percorremos cerca de 200 kms  e o percurso encontrava-se interrompido.
  Que fazer ?  Perder a viagem, ou encontrar uma
alternativa ?  A questão nem se colocava... a vida é curta demais para se perder tempo e... lá vamos nós, juntos, desfrutar o que a Mãe Natureza tem para nos ofertar.


  Já agora deixo a informação  que obtive junto de uma simpática Sra. que vendia bolos e pão,  de porta em porta, de  aldeia em  aldeia e a quem comprei um bolo finto de mel e erva doce que é uma delícia.

   A  abertura do percurso está prevista para o mês de Junho.


   Ignorámos assim a placa informativa, decididos a descobrir até onde o caminho nos levava.   Iniciando o percurso no largo Luís de Camões. Ao longo do caminho somos presenteados com Arte na Pedra. Uma exposição de figuras esculpidas no muro que ladeia o caminho.



Um olhar para trás e lá está ele imponente, o belo Castelo medieval  e o casario a seus pés.

 Percorrendo o caminho  da Fonte Velha, encontramos um convidativo parque de merendas


As giestas são rainhas neste espaço de encantar

Chegamos à Fonte Velha

As pedras desgastadas pelo tempo guardam  historias das gentes de Belver. quanta criançada se terá banhado neste "tanque " quanta jura de amor, terá sido ouvida pelas águas que correram em tempos idos nesta fonte,  quanta historia perdida no tempo ... Da fonte nada se sabe, carece, quanto a mim, alguma informação extra a fim do caminheiro mais sonhador, tal eu, não se colocar a divagar e, ao mais distraído, a mesma não passar despercebida.
 É linda a fonte, hoje seca... carece de água e informação

A paisagem cativa-nos a  cada olhar.
 Olhamos, vimos e Sentimos  a Natureza na sua verdadeira dimensão.

Lá em baixo, aconchegado pela natureza, espreguiça-se o Rio Tejo  e no alto, o Castelo impõe o seu tempo de reinado...

 Quando se passeia sem a lição preparada e sobretudo quando se ignora as informações locais... nem sempre o "final " é feliz... Encontrámos  o  Núcleo Museológico encerrado para almoço... falta de pesquisa   :)
 E lá estava ela, a ponte, encerrada a bloquear-nos o caminho...  um cão ladrava incessantemente na habitação ao lado, uma voz de homem dava-lhe ordens que  se calasse,  mas não se via viva alma, sabia-se ali estarem,  mas apenas os escutávamos...
  À  nossa frente uma estrada parecia conduzir-nos a Belver.. mas a incerteza  fazia-nos ponderar. Retornar a percorrer,  à torreira do sol, os kms terminados de caminhar ou seguir a estrada de asfalto que tudo indicava levar à Vila de Belver  ? ...
   De súbito surge  a  padeira  que com toda a simpatia nos explicou como desfrutar de outra parte do percurso, nunca fazendo o percurso na sua totalidade...  esse terá de esperar até ao concluir das obras

Assim fizemos. seguimos asfalto e eis-nos em Belver, que que "belo ver" se avista do Miradouro do Outeirinho 
 De volta ao carro, directos  à aldeia de  Alamal onde  o Passadiço espera pelos caminheiros , fazendo uma ou outra paragem obrigatória. 
Um caminho de silêncios pleno de historia e aromas campestres....

Barragem de Ortiga _ Belver 

 Praia Fluvial de Alamal, um lugar de descanso, lazer e caminhada...

Sobre as águas do Tejo,  um extenso passadiço, bordejado por um frondoso arvoredo convida a uma pequena caminhada. Lamentavelmente faltam infraestruturas para pessoas de mobilidade reduzida, devido a alguns degraus que o passadiço apresenta. 

Quando o homem respeita a Natureza ___________    Quando a natureza reclama o seu lugar ______

Reinava a paz as águas corriam vagarosamente... o dia findava... poderia-se chamar sem dúvida  um dia de " Boa Vida " tal o nome da embarcação que descansava no areal

Bandos de patos  reais faziam corridas esvoaçando num vai e vem difícil de acompanhar

A hora dourada aproximava-se e o sol brincava com a lua às escondidas, escondendo-se por detrás das montanhas...
 Eu brincava com o sol, fazendo Lens flars
Terminava assim mais um dia, daqueles em que o tempo corre ao sabor das cores, dos cheiros, dos olhares... um tempo de silêncio e serenidade... um tempo de  agradecer o privilégio de viver...

Tempo de promessas ... Tempo de um dia regressar ....

sábado, 25 de março de 2017

Da Lousã até Góis

Uma fotografia da aldeia de Talasnal , inserida nas aldeias de xisto de Portugal despertou em mim a vontade de um passeio pela Serra da Lousã e se bem o pensei assim o fiz.
Partimos cedo, como é nosso hábito  e desfrutámos da estrada nacional despovoada. E, observando a paisagem  seguimos caminho, numa deliciosa tranquilidade.
Embrenhados na luxuriante vegetação, quase somos transportados para o mundo mágico de conto infantil. Estamos no tempo das mimosas e as mesmas não se fazem rogadas, mostrando todo o seu esplendor, beleza e cor.


Pelo caminho não encontramos indicações, confiamos  pouco no GPS,  o sinal é fraco, mas não há que enganar é subir a serpenteada estrada e, de súbito,  do nosso lado esquerdo eis que lá está ela, no cimo de uma vereda,   como que envergonhada,  aconchegada entre montes e vales,  a linda  Aldeia de Talasnal.


Mais um pouco e é hora de estacionar o carro, explorar a aldeia  que já não está tão esquecida como em tempos idos em que chegou a ser uma aldeia fantasma.
Descemos a imensa escadaria lembrando-nos que é preciso  subi-la e  não posso deixar de pensar nos seus habitantes, alguns ( a maioria, suponho ) de idade avançada percorrendo aquela escadaria e as ruas estreitas e sinuosas... há lá melhor ginásio...


Embrenha-mo-nos nesta amplidão de xisto e espiando aqui e acolá, entre muros e ruas estreitas, descobrimos uma aldeia dos anos vinte e trinta. Nessa altura,  a distancia entre a Lousã e Talasnal  era enorme, como tal, os seus habitantes ali nasciam, ali pereciam ... sendo conhecidos como "Gentes da Serra "






 Visita terminada seguimos em busca de outra aldeia, que um amigo nos indicou. Cerdeira  Voltamos a percorrer a sinuosa estrada de amarelo colorida tal tela pintada pelo vento que a flor da mimosa derrubou



A entrada a bonita Capela , descemos o caminho de xisto até um pequeno regato e admiramos o casario que se estende lá em baixo.
O dia findava e ainda havia que passar pela  Vila de Góis a fim de visitar a família... Ficou prometido um regresso, permanecer numa destas aldeias, palmilhar alguns dos seus trilhos pedestres  e descobrir estes recantos de Portugal.


É sábado e os jovens aproveitam para a prática de desporto, faço uns cliks  e seguimos


Já em Góis e após visitar  todos os familiares, guardo alguns momentos para recordar.
Góis tem muito a oferecer ao visitante. O rio Ceira e a sua paisagem circundante fazem as delicias dos amantes da natureza.
A vila,  possui um largo património cultural. Um belíssimo lugar que merece sem duvida um post só seu.


Perspectiva de Góis


Largo do Pombal e Igreja da Misericórdia



Fonte do Pombal


Largo do Pombal




Rio Ceira