sexta-feira, 30 de julho de 2021

Monte de Santa Trega (Santa Tecla)

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 Depois da viagem, seja ela ao outro lado do globo ou a uma pequena aldeia aqui tão perto, o seguimento é relembrar e partilhar após agradecer. Sim, a gratidão é um sentimento constante na minha vida e partilhar permite-me ver as experiências vividas com um outro olhar, mais distante e menos inquieto de que no momento ávido da descoberta.

Sinto, igualmente satisfação de levar em viagem quem por aqui passa e como tal não prescindo de documentar com fotos, textos e alguma informação que tento reunir ao longo das minhas experiências ou pesquisando na internet. Todo este processo demanda tempo o que me limita mais do que desejaria. Por fim, esta partilha é uma extraordinária terapia. 

E com esta introdução, hoje pretendo levar-vos numa viagem a tempos remotos da história da humanidade, mostrar como viviam as gentes de outros séculos.  As últimas investigações confirmam uma primeira ocupação no séc. I e II a.C.  na Citânia de Santa Trega (Santa Tecla) situada em A Guarda / Pontevedra. Aqui se encontram vestígios de uma grande cidade do noroeste peninsular. A sua localização favorecia o controlo do tráfego marítimo e fluvial, assim como a exploração mineira nos montes da Serra de A Groba.  Estima-se que na extensa área de Castros (habitações de forma circular com o tecto em colmo) tenham vivido entre 3.000 a 5.000 pessoas, o que indica uma elevada densidade populacional para a época. 

Este recinto amuralhado de cultura castrexa, (conjunto de manifestações culturais do noroeste da Península Ibérica que durou desde o final da Idade do Bronze até ao séc. I d.C.) suscitam em mim uma curiosidade e um fascínio inexplicáveis, além da beleza que consigo vislumbrar nas mesmas.  Do Monte ´contemplam-se fartas vistas e frequentemente os meus olhos deslizam entre o passado e o presente.









Estávamos de férias no Alto Minho, desta vez sem roteiro programado partimos para umas férias de recolhimento e descanso, mas o bichinho de ir conhecer lugares novos foi mais forte e a cada manhã planeávamos a jornada e lá íamos à conquista. E porque a vida assim se faz, terminávamos em glória colhendo um novo "troféu a cada dia. Neste dia encontrámos um dos mais importantes legados patrimoniais das Rias Baixas e da Galiza. 



Nessa manhã uma imagem, na Net, das ruínas do Monte de Santa Trega ou Santa Tecla despertaram o nosso interesse e lá fomos, felizes por em tempo de pandemia irmos um bocadinho mais além... sempre em segurança obviamente.  

A entrada para o Monte tem um custo de €1,50 por pessoa e a mesma quantia pelo veículo.  O bilhete dá direito a visitar o Monte, o Castro e o Museu Arqueológico de Santa Trega. É possível visitar o Monte a pé.

Iniciamos e nossa visita pela moderna Via Crucis, obra do escultor valenciano Vicent Mengual.

Via Crucis 

Durante a subida sobressaem o Miradouro Pico do Facho a 328 metros que visitamos primeiro e oferece uma ampla panorâmica sobre o casco urbano de A Guarda com o seu Porto Pesqueiro, e o Miradouro Pico de San Francisco, a 341 metros. 


 Panorâmica do Miradouro Pico do Facho

 



No Pico de San Francisco localiza-se o Museu Arqueológico, algum comercio, a Capela de Santa Trega e o Marco Geodésico,  que nos oferece impressionantes vistas para o nosso Portugal. Daqui é possível avistar a confluência do Rio Minho com o Oceano Atlântico e a ilha da Ínsua, classificada como Monumento Nacional desde 1910. Inicialmente, no séc. XIV viviam aqui monges franciscanos, altura em que foi construído o convento de Santa Maria da Ínsua. A Fortaleza tal a conhecemos hoje data do séc. XVII, do reinado de D. João IV. O Forte de planta em estrela irregular, integra ainda no seu interior o Convento Franciscano. 


Miradouro de San Francisco



Encobertos pela copa das arvores, lá estão eles, a ilha e o Forte da Ìnsua 





Capela de Santa Trega, do séc. XII, porém reformada e ampliada nos séculos XVI e XVII. 

Presença de forte tradição religiosa. A 23 de Setembro realiza-se a centenária procession del Voto, durante a qual os fieis percorrem a Via Crucis. 

Em frente á ermida encontra-se o cruzeiro datado do séc. XVI.

Escavações realizadas no ano de 1994, revelaram vários túmulos visigodos. 

Capela de Santa Trega

Numa visita ao Museu Arqueológico podemos apreciar alguns dos achados. Moedas romanas, cerâmicas, objectos de vidro... o esplêndido Remate de Torques, a simbologia máxima da Galiza, decorado com finas filigranas e a Cabeça do Trega, o achado mais emblemático das escavações recentes. 

Cabeça do Trega
Remate de Torques
Moinho de mão
Ídolo Pétreo 
Labras decoradas

Estelas


Moeda romana

As construções estavam organizadas por grupos integrados e que partilhavam um pátio comum. Agrupavam-se em pequenos bairros separados por ruas estreitas perfeitamente identificadas. 

Esta planificação urbanística completava-se com uma rede de canais de aguas fluviais distribuídos por toda a Citânia.

Achados arqueológicos contam-nos que as casas eram pintadas de vermelho, azul ou branco, algumas portas estavam ricamente decoradas com gravuras geométricas ou blocos cilíndricos embutidos nos muros. 

O modo de subsistência era a agricultura variada, como trigo, cevada, aveia, milho e favas. Também se alimentavam de animais tais como vacas, ovelhas cabras e veados e de peixe e marisco. 

A construção de objectos de cerâmica, tecido, instrumentos metálicos e o comercio eram outras actividades que ocupariam os habitantes do Castro.














domingo, 8 de novembro de 2020

(Re)descobrindo a Serra da Lousã - Baloiço de Trevim

 


Os dias são pequenos nesta altura do ano,  após percorrer os Passadiços da Ribeira de Quelhas fomos até ao alto da Serra onde o Baloiço de Trevim espera por todos, crianças, jovens ou adultos, que como eu,  desejam sentir por uns minutos a meninice que já passou. A Paisagem é linda, ao longe,  duas cordas já gastas seguram uma simples tábua de madeira e eis o baloiço que me transportará á infância. Não está ninguém presente naquele momento tornando-se o meu momento.   Chego mais próximo,  o silêncio estabelecido é quebrado pela minha voz alegre,  pela lembrança de tempos idos. O baloiço é alto para mim e entre tentativa e erro e muita risada conquisto finalmente o lugar e sinto a alegria de viver a vida no seu auge. 

Ao longe pessoas aproximam-se, também elas desejam sentir o espirito da criança que todos temos em nós. 

A chuva continua a fazer-se sentir presente, eu teimo em querer ficar para registar o pôr do sol,  ali naquele lugar mas o mesmo fecha-se entre  nuvens, não há nada que eu possa fazer. Dirigimo-nos ao carro é hora de agradecer este dia e seguirmos o caminho da nossa própria vida. O dia foi maravilhoso e estou imensamente grata.






Sente! 
Já foi sente de sentar, era o antigo baloiço da Serra da Lousã que sucumbiu ao peso de tantos se sentarem, hoje ali no chão encostado a um tronco passa despercebido aos mais distraídos ou a quem não sente realmente a Natureza.


Sentei-me... senti uma chuva miudinha que me refrescava o rosto, não que eu precisasse pois o vento soprava frio e cortante. 
Senti a paz que sempre sinto nestes lugares, senti a felicidade do momento e um momento pode ser eterno... 









Dentro do carro apercebemos-mos que as cordas do baloiço estão a ser trocadas, decidimos regressar na manhã seguinte


O baloiço estava é minha medida e só para mim... balancei até me cansar...