sábado, 4 de abril de 2020

Torcal de Antequera



Declarado Património Mundial da Humanidade pela  UNESCO,  O Parque Natural del Torcal de Antequera, situado na Andaluzia deslumbra quem o visita.
Água e vento ao longo de milhares de anos foram deixando a sua marca no tempo criando esta obra magnifica.
Ficara encantada por esta paisagem cárstica quando a vi pela primeira vez em fotografia registada pela minha filha.  Desde então, o Torcal, ficou marcado no nosso bloco de desejos de lugares a visitar.  Em Julho de 2019 essa visita proporcionou-se e percebi que não há imagem, por mais bem registada que seja, que transmita o sabor de estar lá. 
A emoção sentida por pisar esta terra que já foi mar, este solo seco a estalar sob nossos pés quase desnudado de vegetação, saltar de rocha em rocha,  embrenhar na escuridão de uma pequena gruta que se atravessa no nosso caminho.. ou seremos nós os intrusos que a atravessamos...claramente somos nós... mas se respeitarmos a Natureza  não se zanga...
Chegámos bem cedo, ainda o Centro de turismo não se encontrava aberto, tínhamos planeado bem a visita mas preferimos começá-la após pedir mais algumas informações. Após nos aconselharmos, decidimo-nos pelo percurso já previsto, a Rota Amarela com cerca de 3km de extensão.
Entusiasmados embrenhámo-nos por esta floresta de pedra prontos a desbravá-la com carinho e toda a atenção. Cada formação nos fazia lembrar algo familiar, panquecas empalhadas, uma mão que aponta para o céu a que chamei mão de Deus, uma velhinha que nos observa... há quantos milhares de anos ali estará?..
Durante muito tempo fomos os únicos visitantes do Parque, aos poucos foram chegando outros turistas que nos ultrapassavam rapidamente. Contrariamente, nós palmilhávamos vagarosamente e demorávamos o olhar naquela vista nunca  por nós avistada...o Artur  mais atento do que eu descobre a primeira das muitas cabrinhas que vimos.
Foi um dia magnifico. Sim, passámos lá o dia inteiro porque a paz que a Natureza nos transmite é ímpar.

























domingo, 15 de março de 2020

Rota dos Laranjais


Igreja do Santíssimo de Castelões

Junto à Igreja do Santíssimo em  Castelões, encontra-se a informação da Rota dos Laranjais, porém  é aconselhado iniciá-lo um pouco mais à frente, que foi o que fizemos,  mais propriamente junto ao Santuário do Coração de Maria, de onde a vista se perde por todo o Vale de Besteiros até à Serra da Estrela.

Santuário do Coração de Maria 

O início do percurso segue o circuito de manutenção numa descida bastante íngreme e sem grande interesse natural nesta altura do ano / Fevereiro/  mas logo nos apercebemos que esta caminhada nos irá surpreender e terminaremos a mesma muito mais ricos culturalmente e  regressaremos a casa de alma renovada.


As laranjas abundam e há quem não resista...


pior foi quando as provou, ao que parece são tão amargas que foi impossível comê-las,  o que me fez gargalhar e descansar, pois temia que o dono das mesmas nos confrontasse  o que seria legitimo.
Mais à frente em conversa com um Sr da terra, ficamos a saber que estas laranjas ficam comestíveis apenas no Verão e que podemos apanhar as que quisermos que ninguém nos dirá nada...? Contamos-lhe o sucedido e a sorrir diz-nos:_ Tenho ali à frente laranja da Baía venham que vos dou umas quantas...


Estávamos junto da Capela de Santo António, o Sr. João não só nos deu laranjas como nos falou um pouco dele e desta terra, aprendemos muito. Foi um momento bastante agradável.
 Antes de aqui chegarmos, passámos por vários laranjais, alguns inóspitos e selvagens, recobertos por uma variedade de vegetação como pinheiro bravo, eucalipto e acácias que sobressaem dos campos de pastagem e cultura tradicional.
No meio deste verde uma sinalização indica " Poço da Silveira" fazemos o curto desvio e ficamos maravilhados com aquele recanto que esconde uma bonita queda de água.












Percorremos o caminho passando por um antigo moinho e mais à frente a Fonte do Chafurdo e Fonte Funda,  ponto de encontro, em tempos idos,  das mulheres da aldeia enquanto abasteciam  bilhas de agua fresca.
Contornamos a Fonte Funda e o caminho continua entre pastos verdejantes até chegar a Quintal, consta que este nome se deve ao facto da família de Antero de Quental ter habitado aquele lugar e passamos pela Capela de Nossa Senhora da Conceição (séc. XVIII).













Subimos o caminho e passamos pela Capela de Santo António e é neste preciso momento que nos cruzamos com o simpático Sr. João. Diz-nos que a Capela de Santo António é do tempo dos Távoras, depois de nos oferecer laranjas  acompanha-nos na subida até uma bonita casa agora em abandono onde é ainda visível o brasão que se encontra numa das esquinas do edifício.  Explica-nos que é sinal de que o palacete pertencia a filho bastardo. Mostra-nos a Fonte de Santo António e chama-nos à atenção para estarmos atentos a um eucalipto centenário ( mais de 500 anos) segundo as suas palavras e à Quinta da Cruz, agora em ruínas.  Depois, havemos de chegar ao Cruzeiro, passar pela Capela de São Simão, recuperada com as esmolas de apenas treze habitantes da aldeia. Depois é prosseguir caminho até chegar à Rua principal, havemos de chegar à Central eléctrica, passar por mais duas povoações e após atravessar a Serra do Caramulo estaremos no ponto inicial da nossa caminhada.













O caminho encontra-se sinalizado mas o pedacinho de conversa com o Sr. João trouxe outro sabor a este passeio, pior foi fazer o desvio até à Central, sendo que já era tarde e os dias escurecem mais cedo acabámos a atravessar a Serra com lanterna do tlm.. um troço da mesma encontrava-se quase intransitável, com robustas árvores caídas (devido ao incêndio)  impedindo a passagem... É que os Municípios acham que só a partir da Primavera merece a pena cuidar do Património, isto porque pensámos fazer os Passadiços de Vila de Rei e foi-nos informados que estavam intransitáveis e só no  Verão reabriam ao publico...
Já se avista a Torre do Santuário do Coração de Maria, passamos por uma lindíssima cascata ainda faço um clik mas não fica bem. Fica a promessa de um dia retornar pois toda a ultima parte do percurso não foi apreciado como merece.
Quem sabe um dia...

Mapa do Percurso