terça-feira, 2 de abril de 2019

Cachorros de Monachil

Quando se pensa em Granada  vem-nos logo à ideia Allambra e Serra Nevada, mas há muito mais  a descobrir, sobretudo para os amantes de caminhada na Natureza. 

Efectuámos este percurso, conhecido por Cachorros de Monachil,  no ano de 2012, ( a palavra cachorro é usada como definição das ravinas, encostas nos desfiladeiros estreitos e profundos)  não sei se hoje, ainda, seria capaz de o repetir, mas a verdade é que ao ver as fotos de então, senti uma enorme vontade de reviver esta aventura... enquanto não é possivel  (se algum dia o for...)  relembro e partilho esta caminhada por um lugar fantástico, situado no Parque Nacional da Serra Nevada a cerca de 8/10 km de Granada. 


Depois de deixarmos o carro na povoação de Monachil e de caminhar por uma estrada de terra batida, avistamos as  ruínas de uma antiga central eléctrica.

Entre vales e montanhas, passando pela Cueva de las Palomas, quase sempre acompanhados pelo rio Monachil, subindo e descendo, gatinhando, atravessando pontes suspensas, assim foi esta aventura.






Ruínas da antiga Central Eléctrica
( De lamentar a presença de vandalismo lixo e rabiscos grafitados sujando pedaços de história...) 

Chegámos à primeira e a maior, deste percurso, ponte suspensa. Com cerca de 63 metros de comprimento e 15 de altura.
 A ponte original foi construída à cerca de um séc. atrás e era feita de cordas. , há uns quarenta anos foi construída esta com materiais mais resistentes. 
Contudo não deixa de intimidar um pouco... 
  

Ponte suspensa com 63 metros de comprimento a 15 de altura do solo 


Baixo-me para fotografar-la de outra perspectiva... a sensação é de que a mesma é infinita...


O coração acelera e a adrenalina sobe, um pouco a medo começo a travessia, mas se o receio me acompanhava no inicio, logo se dissipa perante tal beleza. Uma imponente cascata corre abundantemente em cachos de águas glaciares, a altura a que me encontro é vertiginosa, lá em baixo, pessoas refrescam-se nas piscinas naturais, o calor é muito, não aconselho ninguém a fazer esta caminhada em Julho, como nós e muitos outros que se cruzaram connosco...  





Terminei a passagem, triunfante aceno ao Artur que esperava pacientemente,  tinha-lhe pedido que não atravessasse ao mesmo tempo para que a ponte não oscilasse muito  :-)


Ao longe uma "formiguinha" começa a travessia




Depois de passar a ponte o percurso baixa até ao rio e caminhamos numa garganta estreita entre  desfiladeiros  com  "paredes" de mais de 30 metros de altura, onde se pode observar numerosas vias de escalada e alguns praticantes deste desporto.

 O caminho é feito sobre um estreito passeio de cimento que cobre  e protege uma conduta de água potável que abastece a povoação de Monachil.



 Em algumas partes do percurso somos obrigados a andar de gatas e noutras agarrados a ferros, este caminho irá conduzir-nos a uma bonita gruta, esculpida pela erosão fluvial. 








                         

Cueva de Las Palomas 








 Depois de deixarmos o Túnel e a Cueva de Las Palomas, Abrem-se-nos várias hipóteses de caminhada. Optámos por seguir o caminho que nos levaria ao estacionamento, o calor era muito e a água começava a escassear...


Cruzámos diversas pontes suspensas, caminhámos  sempre junto ao leito do rio, ora paralelos,  ora nas alturas o que nos permitia apreciar a beleza de toda a paisagem envolvente...
Aos poucos sentíamos a descida  o que significava estarmos cada vez mais próximos do fim. Se por um lado o lamentávamos por outro o desejávamos pois o calor era tanto e sombras muito poucas... 





 Ao longe avistava-se Monachil, a nossa aventura estava a terminar, mas o bom é que nunca sabemos o que nos espera até ao final...






E depois de descermos bastante por caminhos, escadas e pontes, chegámos ao cume  de mais uma  cascata.  Tínhamos avistado algumas ao longe, esta estava tão próxima... 
Estávamos demasiado cansados e contentá-mo-nos somente  por a apreciar do alto.





Demos por terminada esta caminhada, daqui ainda tivemos de caminhar até ao carro e não era tão pouco assim e sempre sem sombras... prometemos voltar um dia.. quem sabe... 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Orós de Bajo

 Após viajarmos,  cerca de quinze ou dezasseis anos consecutivos, aos Pirenéus Espanhóis, a Natureza ainda nos consegue surpreender e sempre nos reserva um  recanto desconhecido que nos encanta.


Cascata Orós de Bajo  Sabiñánigo _ Valle de Tena

Para este dia preparámos um passeio ligeiro,  uma caminhada curta sem grandes desníveis  ou dificuldade de maior. A Cascata estava ali tão perto e de percurso fácil e nunca resistimos a uma cascata... estacionámos o carro e logo uma placa informativa nos indicava o caminho.


Enquanto nos inteirávamos do percurso que nos esperava, fomos abordados pelo Sr. Gregório que após se apresentar nos perguntou  se não desejávamos visitar  a Igreja  de Sta Eulália, ao que respondi que esse seria o nosso passeio de tarde. Ele insistia e eu olhava o sol que já ia alto e só pensava que para fotografar a cascata em boas condições quanto menor  luz melhor... mas, após a sua insistência, lá cedemos e em boa hora o fizemos,  pois do roteiro das Igrejas de Sarrablo esta foi a única que tivemos o privilégio de visitar o seu interior.


Interior da Igreja de Sta Eulália, estilo moçárabe do séc.. XI               

Posteriormente dedicarei um post sobre esta e outras igrejas.

Após a visita e o longo diálogo com o Sr. Gregório, homem simples, muito educado,  orgulhoso e cioso da sua terra, demos inicio ao percurso.


Como é possivel ver acima, é de facto muito fácil o acesso a este  pequeno paraíso.

Muito pouco tempo após o inicio da caminhada, chegamos a uma primeira cascata, resultado de uma pequena barragem.


Seguimos subindo as escadas de madeira até ao cimo. A partir daí a estrada, de pedra solta,  fica mais estreita  e há que ter algum cuidado,  caminhando sempre do lado esquerdo do rio chegamos à encantadora cascata de Orós de Bajo onde águas cristalinas deslizam fortemente no barranco d'os Lucars.


Uma piscina de água verde esmeralda encontra-se lotada de banhistas e amantes da Natureza. Pelas escarpadas rochas descem os aventureiros  praticantes de Canyoning rapel, ( também conhecido como canionismo). Um desporto que envolve uma variedade de  técnicas, incluindo, caminhada, escalda, jumping, rapel e natação. Timidamente aproveito para registar alguns momentos,  mas logo me deixam à vontade, devolvendo-me sorrisos quando após o mergulho  se acercam de nós.











A textura e as formações rochosas são verdadeiras obras de arte esculpidas pela erosão do tempo.. encantam-me.


E, como nestes lugares parece que todos nos conhecemos, um jovem casal ofereceu-se para registar o momento para mais tarde recordar.


No regresso mais um olhar sobre a represa... 


E assim foi a nossa descoberta a este pedaço do paraíso. Um lugar que,  não obstante a afluência de turistas devido ao seu fácil acesso... parece intocável pelo homem sendo  uma verdadeira jóia da Natureza.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Rothenburg ob der Tauber _ " A Fortaleza Vermelha sobre o rio Tauber"

 Já instalados  em Frankfurt  era tempo de aproveitar e visitar mais algumas cidades alemãs. E, esta cidade medieval,  que nos transporta deveras para outras eras foi a primeira a ser visitada.
A linha castanha demarca a muralha que cerca a cidade percorrida por nós na totalidade.


Para não corrermos riscos de  dificuldade em estacionar, parámos o carro junto à estação ferroviária e após uma curta caminhada estávamos às portas da cidade ( velha)


Portão da entrada da cidade

Aqui há circulação de veículos, tive de esperar uma "abertura" para conseguir a foto sem carros.
Entrámos por esta porta e logo após a entrada, do lado direito ( desta perspectiva)  subimos à muralha. 
 As muralhas e torres que circundam a cidade, foram construídas no séc. XIII, são cerca de 3km de cidade murada com anos de história que impressionam pelo seu estado de conservação.


                                                               Interior da muralha


Ao longo das muralhas,  avistam-se diversas placas com inscrições. Na altura não entendemos mas  valha-nos o santo Google e logo que chegámos a casa ficámos a saber a razão das mesmas.
O que aconteceu foi que durante a segunda guerra mundial, o exercito alemão procurou refugiar-se em Rothenburg. O exercito dos aliados tomaram conhecimento  e decidiram bombardear a cidade.
O tempo estava muito nublado e com a fraca visibilidade os estragos na cidade não foram muitos. Porém,  uma  parte da muralha e algumas casas foram destruídas. 
Após o sucedido, um sentimento de amor pela cidade uniu os cidadãos mobilizando-os no sentido de reconstruir a cidade.  Para isso,  pediram ajuda a todo o mundo e todos aqueles que ajudassem teriam os seus nomes gravados nas placas que percorrem o muro da muralha.
 Foi bonito ver placas de todos os continentes e lindo ver que Portugal não ficou indiferente e hoje em Rothenburg  estas placas  recordam-nos  a crueldade da guerra mas também  a gratidão a todos que ajudaram na reconstrução da cidade. 


             Vista sobre a cidade, torres e muralha.



É possivel subir a uma única torre ( Rauthausturm)  com o custo simbólico de 1,5€ adulto 1€ criança proporcionando-nos vistas ainda mais incríveis, além de fotografias antigas e a  descrição da historia da cidade.



Janelas da Torre Rathausturn


A disposição das casas lembram colmeias e o cenário parece retirado de um filme. Não terá sido por acaso que Walt Disney se inspirou em Rothemburg para fazer a vila onde vivia Pinóquio ( filme de 1940).
 Mais recentemente serviu de palco nas filmagens do Harry Potter em;  As Relíquias da Morte
 ( Série 1 e 2 em 2010 e 2012)


                                                     Rodertor vista da Torre


                                                          Torre  Spitaltorturm


                                                          Spitaltorturm




                            Interior da muralha local estratégico que protegia a cidade


Máscara no topo do portão. Esta máscara era utilizada para lançar sobre os invasores liquido quente.


Este é um dois locais, se não o mais,  fotografado de Rothenburg ob der Tauber. Aqui na fotografia não mostra, mas trata-se da famosa bifurcação Plonlein, com a fonte à sua frente e as duas torres, Kobolzeller e Siebers, uma em cada rua. 


Uma pequena igreja que entramos mas esqueci de fotografar a placa indicativa, assim não sei o nome da mesma. Era pequena mas muito bonita. 



O doce típico da cidade é o Schaneeball ( bolas de neve), apesar do seu apetitoso aspecto não nos rendemos ao seu sabor. Trata-se de uma massa estendida e enrolada em forma de bola que depois é frita e envolvida  em açúcar.



 Na Marktplatz, podemos ver o edifico  da Câmara, e o Ratstrinkstube com o seu relógio astronómico que todos os dias as, 11h, 15h, 20h e 22h, podemos assistir a uma pequena "animação". Trata-se de um boneco que aparece na pequena janela situada acima do relógio, esse boneco aparece bebendo uma taça de vinho de um só trago  e simboliza um episódio de outrora.
 Em 1631, durante a Guerra dos Trinta Anos, a cidade protestante de Rothenburg foi capturada pelo general Tilly, comandante dos exércitos da Liga Católica. Ele prometeu poupar a cidade da destruição se um dos burgueses da cidade pudesse beber o enorme caneco cheio de vinho em um só gole.
Bürgermeister Nusch aceitou o desafio e conseguiu, salvando Rothenburg. 
O relógio na Marktplatz com figuras mecânicas representa este evento e todos os anos existe uma festa para celebrar este acontecimento. 


                                                                Ratstrinkstube


                    Portão Burgtor Gate  ( é onde se pode observar a máscara que refiro acima)



                                    Estátua de St. George's na  Fonte homónima
                   

                                                         Igreja de St. Jacobs

Esta igreja é monumental e a foto não lhe faz jus, acontece que o nosso tempo estava a terminar e já não dava para grandes fotografias. Não conseguimos visitar o seu interior pois estava a acontecer um concerto de órgão, ficámos a escutar à porta  durante o tempo que dispúnhamos e aqui terminou a nossa visita.  



                                              St. Jabob's Caminhos de Santiago



 Rothenburg ob der Tauber,  é uma cidade medieval incluída na Rota romântica Alemã.
Situada na região da Baviera, no sul da Alemanha.   
Parece que o tempo por aqui parou e ao entrarmos as portas da cidade, entramos literalmente na era medieval. As ruas empedradas, a muralha que cerca toda a cidade,  os museus, igrejas, fontanários e lugares históricos... tudo leva a nossa imaginação a recuar a um passado por nós jamais vivido mas conhecido.