terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Mediano Memórias Afogadas

A Vila de Mediano, deu nome à barragem que um dia a viria afogar.
A 27 de Abril de 1969, a chuva caiu incessantemente durante três dias consecutivos, o nível do Embalse  de Mediano começou a subir e os habitantes de Mediano viram-se forçados a fugir, deixando para trás todos os pertences e recordações de uma vida.

A torre da igreja românica é tudo que resta desta aldeia afogada.


O Embalse de Mediano encontra-se a 520 metros de altitude do nível do mar e é um dos maiores de Aragão


Saímos de Aínsa  em busca da aldeia fantasma. 
Perante um sinal de proibição de circulação, estacionámos o carro e posemos pés a caminho... 
O Embalse aparecia ao nosso olhar, mas queríamos ver a "lendária"  e sobrevivente torre da igreja. 
Percorremos cerca de dois Kms por asfalto, gostamos de caminhar, mas não em estrada...
o calor era insuportável e entre interrogações de qual a causa da proibição de circulação numa estrada tão boa...  e a que distancia estaria a tão esperada torre, surgiu-nos repentinamente um Sr. que nos questionou o que fazíamos por ali...
Após lhe explicarmos o nosso intento e de me ver apetrechada de material fotográfico, penso que me tomou por alguma jornalista rsss, lá nos disse que ainda teríamos uns 300 metros a percorrer e permitiu-nos a passagem. Era o guarda da barragem.

Finalmente a torre... 
Senti nostalgia ao relembrar a triste historia das gentes dessa aldeia... contudo...
O sol já se despedia e a visão era quase mágica. 



Recantos do Embalse 




As cores do Embalse


O dia terminara... de regresso ao carro somos abordados por um Sr que circulava tranquilamente na estrada proibida... parou o carro e informou-nos que o nosso carro tinha sido rebocado. Devo ter feito tal expressão que o sr. se apressou a esclarecer que brincava, ofereceu-nos boleia, poupando-nos os tais kms de asfalto.
  Ficámos a saber que apenas os turistas respeitam o sinal... a razão do mesmo, permanece ainda hoje uma incógnita para nós...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Rota das Faias


Estacionámos o carro na EN 232 à saída de Manteigas, junto à placa indicativa do trilho que estava destinado a este dia. Um dia de outono que convidava a uma caminhada por um emblemático local, nesta estação do ano. Manteigas 


Rota das Faias

Um trilho que, se percorrido nesta estação do ano leva-nos ao encontro de um mundo dourado. 
Mais que uma caminhada, é um despertar de sentidos, uma experiência inesquecível. 
Um deleite para o olhar e um tónico para a mente. 


Manteigas

Iniciamos a caminhada e pouco tempo depois temos Manteigas a nossos pés,  as cores já prometem, 
a emoção está ao rubro e ainda agora começámos


Capela de S. Lourenço

A capela está rodeada por carvalhos e no solstício de verão é possível ver nascer o sol, a partir de Manteigas, sobre S. Lourenço 


Posto de Vigia de S. Lourenço


Ponto importante e estratégico na prevenção aos incêndios, que lamentavelmente vão destruindo o que de mais belo tem o planeta.


Pinheiro de Oregon


Bosque das Faias 

As folhas tinham atingido o ideal estado de maturação  e esperava-nos um tapete de folhas secas de tonalidades maravilhosas 


Senti-me uma fada num bosque encantado


Agradeci aos céus 


Deitei-me no almofadado manto e fotografei a copa das árvores 


Desejei quedar-me aqui para sempre...
Um lugar magico


Entretanto alguém preparava o magusto 
As castanhas abundam e é permitido colhê-las neste lugar


Quase no final do trilho encontrámos o Sr. José. 
 Um pastor muito simpático .
A conversa estava animada, mas a nós esperava-nos ainda alguns Kms e a ele, a tarefa rotineira de recolher o rebanho... despedi-mo-nos  como se sempre nos tivéssemos conhecido, adoro esta gente simples. 



 O sol já ia baixo mas a vontade de abandonar este paraíso era nula


Subitamente raios de luz rasgam as nuvens proporcionando-nos  mais um momento magico.
Agraciados, damos por terminada mais esta jornada. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Desfiladeiro del Cares

 Estamos nos Picos da Europa, Asturias - Espanha e no ano de 2010, e, porque recordar sabe sempre bem, irão surgindo, intercalados, postagens actuais e de tempos já passados, contudo, sempre momentos inesquecíveis, plenos de aventura e boa disposição. 

Desfiladeiro Del Cares




Entre Poncebos e Caín, palmilhamos o desfiladeiro del cares.  É um percurso de 24km ( ida e volta)  onde a imponência e beleza montanhosa nos faz agradecer a vida.
Surgem-nos a cada passo,  curvas  apertadas, grutas escavadas pelo tempo na montanha e o desfiladeiro, presenteia-nos com vistas vertiginosas. E eu, não me faço rogada, de maquina em punho capto cada momento com o entusiasmo de uma criança.



Por asfalto estreito e empoeirado, contornamos a montanha, avistamos o Rio Cares e embriagados pela beleza,  aí vamos nós em romaria, percorrer a "garganta divina" ao encontro de algum "rebeco" que tem lugar cativo por estas bandas



Este estreito e sinuoso percurso, agora turístico, foi construído entre 1945/1950,  com a finalidade de servir de acesso aos trabalhadores na construção de um canal hidráulico, paralelo ao rio Cares de modo a ligar as duas povoações, Poncebos e Caín,  uma vez que a distancia percorrida de carro entre as povoações é de cerca de 100Km, por estradas sinuosas de montanha. 
Hoje, é  sem dúvida um percurso belíssimo e impressionante. Já o concretizámos duas vezes e não me importava de o repetir... 

  

 Em cada passeio que faço descubro sempre um "deus " das montanhas que zela por nós...
Um rosto de natureza que o tempo e a erosão, moldou...


 Monumento ao Rebeco


 E estamos de novo em Poncebos, após termos feito um descanso em Caín para recuperar energia e comer algo...cansados porém felizes e prontos para outra aventura,  é hora de regressar.

domingo, 13 de setembro de 2015

Aínsa - Sobarbe


 Aínsa Vila Medieval 


Ficámos alojados  num bungalow em Peña Montañesa. Um camping que recomendo, Belíssimas infraestruturas, muito bom atendimento e apesar das suas grandes dimensões, logo muita população, o sossego não foi em nada  perturbado. 
Estávamos a chegar ao camping e passámos por esta lindíssima vila.  Da estrada, mesmo dentro do carro,  fiz este registo e ficou agendado uma visita a Aínsa. assim é seu nome.

No dia escolhido, saímos cedinho, havia feira, passeamos pela mesma até fazer horas da abertura do posto de turismo. Após recolhermos alguma informação... pés a caminho e de imediato fomos surpreendidos pelo magnifico estado de conservação e beleza deste local. Arcadas, ruas empedradas, janelas, portas e pormenores únicos, transportam-nos de imediato a outra épocas. 





 A 589 metros de altitude e com cerca de 2000  habitantes, capital de comarca, Aínsa oferece-nos uma viagem à época medieval. 
Declarada conjunto histórico - artístico em 1965 Aínsa é uma vila fascinante. 
 Os diferentes povos, celtas, romanos, muçulmanos e cristãos  que a habitaram, fizeram dela
um lugar singular. 


A praça Medieval datada do séc. XI /XII  é o seu ex- líbris. O elemento mais característico sãos as suas arcadas  tipicamente românicas. As casas da praça são de arquitectura semelhante, seus telhados, inicialmente em lousa terão sido substituídos por telha  árabe.  Sobressaem os magníficos e bem conservados monumentos como a igreja Sta. Maria séc. XI.  o castelo suas muralhas  e a torre. 




Muralha/ Fortaleza Castelo Cidadela


 Igreja Sta. Maria

Uma subida por uma estreita escada de caracol, leva-nos à torre sineira da igreja de Sta. Maria
 e desfrutamos de uma  magnifica vista,  sobre toda a vila e os rios Cinca e Ara.






Rio Cinca 

   
Rio Ara 


A geometria dos telhados  com as suas típicas chaminés encantam-nos
 e não resisto a mais uns cliks fotográficos 


No interior da Igreja de Sta Maria  




Datada dos finais do séc. XI  continuamos noutros tempos...








Cada detalhe prende a nossa atenção 


Deitamos um último olhar e uma bruxinha simpática  observa-nos.
Despedi-mo-nos assim de Aínsa.